Flacidez de Períneo

Flacidez do Períneo

O QUE É
O fundo da pelve óssea (bacia) termina numa cavidade em forma de funil chamada cavidade pélvica, que contém os órgãos pélvicos (útero, ovários, bexiga…). O fundo deste funil (que na mulher adulta tem cerca de 10 cm de diâmetro), é fechado por uma espécie de “cama elástica” chamada assoalho pélvico. O assoalho pélvico é formado por 13 músculos, conhecidos em conjunto como Musculatura do Assoalho Pélvico (MAP), e popularmente conhecido como períneo – auxiliados por fáscias e ligamentos (que funcionam como elásticos biológicos). A função de todo este conjunto é sustentar os órgãos pélvicos, como uma cama elástica sustenta o peso de alguém que pula sobre ela. Os elementos mais fortes e decisivos para este fim são os músculos. A contração da MAP pode ser facilmente percebida internamente à vagina, logo na entrada e a alguns centímetros de profundidade. É ela a responsável pela sensação de pressão percebida durante a penetração e todo o ato sexual.

SINTOMAS
A MAP é perfurada por três canais: uretra, vagina e reto, e tem a função na continência da urina (apertando a uretra), na função sexual (apertando a vagina) e na continência fecal (fechando o reto). Por este motivo, quando a musculatura do assoalho pélvico (períneo) está fraca ou flácida ela não consegue contrair suficientemente sobre estes canais causando, respectivamente, incontinência urinária, disfunção sexual (flacidez vaginal) e incontinência de flatos ou fezes. Por outro lado, a contração exagerada, descoordenada ou inconsciente da MAP pode causar retenção urinária, vaginismo e constipação. Além disso, numa guerra diária contra a gravidade, é a MAP que sustenta os órgãos pélvicos, além de sustentar o feto durante uma gestação. Cada vez que algo “empurra” os órgãos para baixo aumentando a pressão intra-abdominal como ao tossir, rir ou fazer algum outro esforço físico, a MAP precisa contrair-se reflexamente para manter os órgãos em suas devidas posições. Se a MAP não conseguir sustentar os órgãos pélvicos, eles podem “descer” de suas posições originando o chamado prolapso genital (como o prolapso de bexiga ou bexiga caída).

CAUSAS
Todas as situações que aumentam a pressão intra-abdominal (tossir, espirrar, rir, levantar objetos pesados, praticar esportes – jump, crossfit ou musculação) podem sobrecarregar a musculatura perineal. Como qualquer outro músculo do corpo, se a MAP não está forte o suficiente para responder a estes esforços, ela pode sofrer lesões e se enfraquecer progressivamente.

Na gestação, a força da MAP deve ser ainda maior já que, durante este período, o peso do conjunto formado pelo feto, placenta, etc, gera uma sobrecarga de vários meses sobre esta musculatura. O tipo de parto, independentemente de vaginal ou cesáreo, é o maior responsável por flacidez do assoalho pélvico que podem levar a incontinência urinária ou fecal: praticamente todas as mulheres após gestações e no período do climatério (menopausa), apresentam algum grau de fraqueza da MAP. O assoalho pélvico é intimamente dependente do estrogênio (o hormônio sexual feminino). Com o avançar da idade, as taxas deste hormônio naturalmente decaem, sendo a menopausa o ponto culminante a partir do qual a MAP enfraquece muito mais rapidamente. Alguns tipos de cirurgia ginecológica também podem acabar lesionando e enfraquecendo a MAP, o que explica por exemplo a ocorrência de incontinência urinária após alguns procedimentos.

Ou seja, de um modo geral o enfraquecimento da MAP é inerente a acontecimentos normais da vida de toda mulher, seja ela mãe ou não.

TRATAMENTO
Como qualquer outro músculo, a MAP pode (e deve!) ser mantida forte e resistente durante toda a vida da mulher através do exercício. Exercitar constantemente a MAP, além de evitar o enfraquecimento e com ele todos os transtornos citados, melhora ainda a irrigação sanguínea desta musculatura favorecendo as condições necessárias a um orgasmo eficaz e diminui a ação degenarativa do envelhecimento sobre o sistema urogenital da mulher.

Existem vários exercícios, um para cada objetivo. Podem ser de contração simples (contrair a MAP, sustentar a contração e soltar), com carga para fortalecimento (usando cones vaginais, como na musculação com pesos), para melhoria da sensibilidade vaginal e coordenação motora (eletroestimulação) e exercícios globais para a melhoria do desempenho sexual. Muitas mulheres não conseguem contrair a MAP por não estarem habituadas a sentir essa musculatura. Mas felizmente qualquer mulher pode aprender a contraí-la corretamente, desde que instruída da maneira certa por um profissional habilitado.

Como em qualquer outro exercício de academia, o treino da MAP requer persistência e precisão nos movimentos, sendo ideal o monitoramento inicial por um fisioterapeuta especialista: se realizados de maneira incorreta os exercícios podem ser prejudiciais, causando efeito inverso ao desejado (enfraquecendo ainda mais a MAP).

INDICAÇÕES DO TRATAMENTO

  • Desempenho Sexual e Orgasmo
  • Dor Sexual
  • Gestação e Parto
  • Prolapso de Órgão Pélvicos
  • Incontinência Urinária e Fecal
  • Retenção Urinária
  • Constipação Intestinal