Disfunção Sexual Feminina

Disfunção Sexual Feminina

O QUE É
Transtornos na área da sexualidade afetam homens e mulheres. Eles, de certa forma, estão mais acostumados a tratar do assunto e, embora muitos retardem o quanto possam a visita ao médico, a maioria acaba buscando orientação.

Com as mulheres, o problema se desenvolveu de modo diferente. Fatores culturais, religiosos, morais e de educação influenciaram – e ainda influenciam – sua maneira de entender e praticar o sexo. Se considerarmos que em algumas comunidades a amputação do clitóris é costume preservado ao longo dos tempos, podemos perceber quão profundas podem ter sido essas influências no imaginário feminino.

As mulheres antigas raramente se referiam às suas dificuldades sexuais. Hoje, essa atitude mudou e muitas se queixam de não estarem sexualmente satisfeitas. Estudos realizados pelo ProSex, Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, permitem identificar três tipos principais de queixas: falta de desejo, incapacidade de atingir o orgasmo e dor durante a relação.

Essa mudança de comportamento tem sido fundamental para enfrentar as dificuldades que sempre existiram no universo feminino. Entretanto, além da ajuda profissional, é preciso estimular a intimidade entre os parceiros para que juntos possam descobrir o que traz mais prazer a cada um deles.

TIPOS, SINTOMAS E CAUSAS

A fisioterapia uroginecológica é capaz de melhorar a qualidade de vida sexual nos seguintes casos:

TRANSTORNO DO ORGASMO – ANORGASMIA
O Transtorno do Orgasmo feminino, disfunção orgástica ou anorgasmia, para nossa melhor compreensão, anteriormente conhecido como Orgasmo Feminino Inibido, pode ser definido como um atraso ou ausência persistente ou recorrente do orgasmo feminino, manifestado por sua ausência ou retardo após uma fase de excitação sexual adequada em termos de foco, intensidade e duração. Em outras palavras, é a falta de sensação de orgasmo na relação sexual. Não se considera, porém, essa inibição como anorgasmia se a mulher é capaz de atingir o orgasmo por meio da automanipulação do clitóris. Há que se evidenciar que a ocorrência de anorgasmia entre os homens é muito menos frequente.

Geralmente, a atitude de negar a anorgasmia é a primeira atitude defensiva para muitas mulheres. De fato, entre de 6 a 7 entre cada 10 mulheres têm dificuldade ou incapacidade, por causas diversas, de chegar ao clímax na relação, isto é, de terem orgasmo. Dessa forma, pode-se pressupor que, a grande maioria falta com a verdade para seus parceiros, fingindo o que o sentiram quando este fato não aconteceu. E se pensamos que este panorama retrata uma realidade distante, dos nossos antepassados, que data de quando as mulheres deveriam prestar submissão aos maridos e qualquer manifestação de prazer numa relação sexual era condenável, afirmo que não. Os números são atuais e indicam que a maioria das mulheres padece de anorgasmia.

A anorgasmia é a disfunção sexual mais comum que chega aos consultórios médicos e psicoteráticos juntamente com a falta de desejo pelo parceiro, quando não aparecem concomitantemente. O diagnóstico de anorgasmia de baseia na decisão de profissionais da saúde (médicos, psicólogos especializados, sexólogos e até fisioterapeutas) ao levar em consideração fatores como: (1) a capacidade de atingir o orgasmo da mulher é menor do que seria esperado para a idade dela; (2) considerações acerca da experiência sexual da pessoa em questão; e (3) a adequação da estimulação sexual que recebe.

Podem ter fatores biológicos a ela associados, como, doenças, problemas hormonais, algumas alterações neurológicas, uso excessivo de álcool ou drogas psicoativas, flacidez do períneo, dentre outras causas da inibição do reflexo orgásmico já que a capacidade de ter orgasmos da mulher geralmente aumenta ao longo de sua vida. Portanto, uma mulher ao identificar a falta de orgasmo deve procurar um médico para verificar possíveis causas orgânicas para sua sintomatologia.

Caso não seja detectada nenhuma anormalidade anatômica e persistam os sintomas, deve se procurar a fisioterapia pélvica para fortalecimento da musculatura íntima e melhora da consciência corporal e, se necessário, um auxílio psicoterápico, levando-se em consideração que a anorgasmia pode estar vinculada a fatores psicológicos a ela atrelados, como:

  • Apresentar sentimentos de culpa em relação atividade sexual;
  • Problemas no relacionamento (brigas, desentendimentos quanto ao que cada um espera do relacionamento e do parceiro);
  • Alimentar crenças falsas acerca da sexualidade;
  • Deficiência feminina em assumir o papel erótico;
  • A desinformação feminina a respeito do que é o orgasmo e as formas de se alcançá-lo com o parceiro;
  • Medo de engravidar;
  • Conflitos a respeito da sexualidade;
  • Associações de sexo com pecado, com desobediência ou com punições;
  • Ter se desenvolvido em uma família com uma educação repressora;
  • Tendo uma educação rígida, a falta de conhecimento do próprio corpo e das suas sensações;
  • Expectativas fantasiosas a respeito do orgasmo, por parte da mulher ou do parceiro;
  • O estresse do cotidiano;
  • A rotina no relacionamento;
  • Abuso ou violência sexual durante a infância até a falta de intimidade com o parceiro;
  • A falta ou a pouca comunicação entre os parceiros e a falta de habilidade sexual do parceiro, fatores estes que promovem o medo e a ansiedade que são pontos chave para o desenvolvimento da anorgasmia;
  • Traumas relacionados ao sexo como por ter sofrido algum abuso pelo parceiro ou por outra figura masculina, do qual as vezes nem há uma lembrança pela pessoa que padece desse transtorno;
  • Ter tido um histórico de relações dolorosas com quaisquer figuras masculinas.

DISPAREUNIA
Dispareunia é a presença de uma condição dolorosa que interfere na função sexual. É muito difícil ter prazer com dor e, assim sendo, a mulher passa a sentir medo das relações e desenvolve as disfunções do desejo (desejo sexual hipoativo) e do prazer (anorgasmia), afastando-se do parceiro e desenvolvendo problemas conjugais. Deste modo, o fisioterapeuta é o profissional primário no tratamento de dispareunia, tendo a função de educar a paciente em relação a sua anatomia e reduzir ou eliminar essa dor através de técnicas específicas.

Existem muitas causas de dor sexual:

  • Vulvodínia/Vestibulodinia (Vestibulite Vulvar ou Vestibulite)
  • Doença inflamatória pélvica (DIP)
  • Tumores genitais ou pélvicos
  • Cistos no ovário
  • Uretrite
  • Infecção do trato urinário
  • Cistite intersticial
  • Atrofia Vaginal (vaginite atrófica)
  • Secura vaginal
  • Lubrificação vaginal insuficiente
  • Trauma de parto (pós-parto)
  • Câncer de Vulva
  • Terapia por radiação
  • Infecções Vaginais/Irritações – Bacteriana ou candidíase, algumas DSTs, etc.
  • Doenças de pele – líquen escleroso, líquen plano, eczema, psoríase
  • Efeitos colaterais de alguns medicamentos
  • Ferimento na área pélvica/genital
  • Sintomas relacionados à idade e associados com a menopausa e/ou envelhecimento
  • Reações alérgicas a roupas, preservativos, espumas anticoncepcionais e/ou espermicidas
  • Exame pélvico doloroso
  • Trauma devido a estupro
  • Mutilação genital feminina (MGF)
  • Cisto das glândulas de Bartholin
  • Endometriose

VAGINISMO
O vaginismo é uma contração persistente e involuntária da musculatura da vagina que interfere na penetração, impedindo a relação sexual e podendo comprometer as relações interpessoais e conjugais. Em alguns casos, os espasmos do vaginismo podem começar a causar ardência ou dor durante o intercurso sexual. Em outros casos, a penetração pode ser difícil ou completamente impossível. O vaginismo é a principal causa de relacionamentos não consumados. Os espasmos podem ser tão restritos que a abertura à vagina fecha totalmente e o homem não consegue inserir o pênis. A dor do vaginismo acaba quando a tentativa sexual é suspendida. Em geral, o intercurso sexual deve ser interrompido devido à dor ou ao desconforto.

TRATAMENTO
Tanto na dispareunia como no vaginismo, a fisioterapia atua na redução da tensão muscular perineal eliminando ou diminuindo os sintomas através de eletroestimulação, massagem perineal entre outras técnicas.